Palavra do Paroco

Lista fechada, aborto da democracia

Desde 2007 se cogita na Câmara dos Deputados uma proposta de reforma política que tem como base o voto em lista fechada, que determina ao eleitor votar no partido e não mais no candidato. Pelo projeto da reforma política, o eleitor dará seu voto a um partido e a legenda vai elaborar uma lista com aqueles que devem ser eleitos de acordo com o número de vagas nas Câmaras federal, estadual ou de vereadores.

O projeto, de autoria do deputado Ronaldo Caiado (DEM GO), estabelece que a lista deva ser submetida à convenção nacional da legenda para ser aprovada, com o objetivo de tornar mais transparente a escolha dos candidatos. Tenho ressalva a este projeto de reforma política. Por quê? Porque percebo resquícios oligárquicos. A lista fechada é de interesse da oligarquia política e não do eleitor, pois lhe tira o direito de votar diretamente nos candidatos.

A lista fechada castra a consciência e infantiliza os eleitores, que votarão num partido que, depois, distribuirá os votos entre os principais caciques da lista. Ela só alargará o fosso da oligarquia, abortará a possibilidade de surgir novas lideranças, já que os partidos indicarão os seus candidatos mais influentes.

Mesmo com a democracia, no Brasil prevalece uma oligarquia política. Em muitos Estados e cidades a administração pública é passada de geração a geração por membros da mesma família. Imagine como ficará com a lista fechada!

O que realmente precisamos é de governantes éticos, honestos. Com outras palavras, nas veias dos nossos governantes deveria correr o sangue: dos pais de famílias desempregados e sem perspectivas de vida para si e para seus filhos; dos enfermos que são humilhados e morrem nos corredores dos hospitais públicos por falta de atendimento; dos professores que são desprezados; enfim, de todos os brasileiros.

A reforma política proposta impossibilita o surgimento de novas lideranças e contribui para o caciquismo. Infelizmente, a grande maioria do eleitorado é analfabeta funcional sobre política. Alguns eleitores preferem discutir futebol, novela, Big Brother...

Alguns deputados, senadores e até governadores tornaram-se elefantes embriagados que, após adentrarem no jardim da democracia brasileira, estão destruindo o sonho de milhões de cidadãos que anseiam por um país melhor. O que o povo brasileiro espera e deseja dos políticos é que, antes de serem administradores públicos, sejam honestos, bons cidadãos, homens e mulheres eleitos e designados pelo povo para servir ao Brasil e em favor de todos.

Lenildo Santana é padre da Diocese de Juína





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