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\"Políticos não são deuses\", diz escritor Augusto Cury

   22/04/2015
Fonte: Gazeta digital   
\"Políticos não são deuses\", diz escritor Augusto Cury

Considerado o escritor brasileiro mais lido da década, com obras publicadas em mais de 60 países, o médico psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal, é pesquisador na área de qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência. Na semana passada, esteve em Mato Grosso e falou com exclusividade, e de forma inédita, ao Jornal A Gazeta, sobre a importância da formação do pensamento na política e formação da cidadania. Confira abaixo a entrevista na íntegra: Como a política pode melhorar a qualidade de vida das pessoas? Em primeiro lugar, ninguém pode ser um grande líder no mundo de fora se não aprender a ser líder, primeiramente, da sua mente. Segundo lugar, a maioria dos políticos em todo o mundo e dos líderes, de uma forma geral, está despreparada para ter o poder. O poder os apequena, os infecta e gera a necessidade neurótica de poder. O projeto de poder de um grande líder deveria ser servir à sociedade e não ser servido por ela, e não se manter no próprio poder. Em terceiro lugar, todos os políticos deveriam ter uma noção básica de gestão da emoção e gestão dos pensamentos, bem como uma gestão dos processos, otimização de custos, de pensar a sociedade a médio e longo prazo, enfim, a gestão administrativa, social e para financiar a qualidade de vida do seu povo. Nesse sistema político que vivemos, em que existe a liderança representativa, a sociedade corre risco por não ter líderes preparados? Corre sérios riscos porque a maioria das pessoas vota pela emoção. Razão e emoção têm que estar muito próximas numa grande decisão, senão fazemos escolhas erradas. Quem é racional demais pode errar e escolher uma pessoa radical demais. Quem é passional demais, pode se iludir com falsas promessas, com a figura exótica de um líder, com belos discursos, como ocorreu com a sociedade alemã, que era a sociedade mais culta daquele tempo, que tinha o maior aporte tecnológico e as melhores escolas. Era a sociedade de Kant, de Heigel, de Schoppenhauer, mas não era uma sociedade que combinava, na mesma decisão, emoção com razão. Quando vem Adolf Hitler, uma figura exótica, com discurso teatral e com promessas mirabolantes, inclusive defendendo a raça ariana como a raça das raças, ele que não era ariano, que não tinha biotipo ariano, que era um estrangeiro, devorou o inconsciente coletivo dos alemães antes de devorar judeus, marxistas, eslavos e assim por diante. É surpreendente como o ser humano é manipulável. Naquela época havia Tratado de Versailles, fragmentação política, inflação alta e crise econômica. Todos esses elementos diminuíram a consciência crítica e quando existem crises como a que nós estamos vivendo, também diminui-se a consciência crítica, procuras e seres humanos que tragam soluções sobre-humanas. Então o brasileiro tem que estar em estado de alerta? Ele deve estar em estado de alerta e as pessoas têm de perceber que possuem um poder solene nas mãos na hora de votar, mas que se esfacela no dia seguinte. É um poder tão forte, o voto, mas tão efêmero, que as pessoas não têm consciência do que está ocorrendo. Elas estão votando em seus empregados, só que acham que estão votando em seus líderes e esses, por sua vez, acreditam que estão sendo votados para estar acima do teatro social, quando, na verdade, eles devem ser servos da sociedade. Um grande político se faz pequeno para tornar os pequenos grandes. Escolhas erradas geram conseqüências para a qualidade de vida familiar, social e emocional, haja vista que quando há insegurança jurídica, insegurança social, insegurança alimentar, insegurança em sustentabilidade dos empregos, como está ocorrendo agora, está aumentando o índice de depressão, de auto-punição, de auto-abandono, de suicídios, dependência de drogas, desesperança dos jovens, mexe com todo o inconsciente coletivo, mas os políticos deveriam levar em altíssima consideração todo esse processo. Estamos a um ano e meio das próximas eleições. Além dos líderes precisarem se preparar, o cidadão também tem que ter um preparo especial para a hora do voto? Exatamente. Os dois grandes atores tem que ser muito bem preparados e não acho que é um preparo apenas pela exposição dos personagens e dos programas na televisão, porque o marketing de massa maquia muito as reais intenções de um líder e também não mostra os fantasmas que estão dentro dos líderes, como a necessidade neurótica de poder, necessidade neurótica de estar sempre certo, de ser o centro das atenções. Fica tudo enviesado quando se usa o marketing na televisão, no rádio, em outros meios de comunicação. Os políticos têm de entender que não são deuses, eles devem superar a necessidade neurótica de ser supra-humanos e devem perceber que nessa breve existência, a atitude mais bela é servir à sociedade com o melhor que tem e não ser servido dela, e ao mesmo tempo, o ator que os coloca no palco, o eleitor, deve se preparar de maneira inteligente, analisar o histórico real dos políticos, ver a praticidade dos programas sociais e deixar muito claro, pelo menos de 70% a 80% do programas, bem estabelecidos no processo eleitoral. De 20% a 30% são desenvolvidos, otimizado sou as correções de rotas acontecem a partir do momento em que o poder está instalado, mas antes, o conteúdo programático, pelo menos 70% a 80% têm que estar muito claro e os eleitores devem ser educados para saber que têm um poder fortíssimo, mas é o mais efêmero de todo o teatro social, porque no dia seguinte ele se esfacela. E como escapar dessas armadilhas, especialmente por estarmos vivenciando um momento de crise e também porque as eleições no Brasil sempre coincidem com a realização de grandes eventos esportivos, como Copa do Mundo e Olimpíadas? Esse é um problema sério. Na minha opinião, o gasto que se tem com eleições é tão grande e o Brasil acaba entrando num processo de hibernação para saber o que vai acontecer após as eleições de maneira tão intensa que deveria haver uma eleição a cada quatro anos e deveria ser proibida a reeleição ou, no máximo, se houver a reeleição, os políticos deveriam se despedir do teatro social como políticos porque deve haver a renovação dos quadros constantemente, deve haver a otimização dos processos, deve se formar novas gerações. Quem se eterniza, por exemplo, no poder Legislativo ou no Executivo acaba, em primeiro lugar, sendo carrasco de si mesmo, porque o poder não é muito prazeroso, ele gera um falso prazer ou um prazer efêmero, que não é muito sustentável, porque você perde a sua privacidade, a capacidade de contemplar o belo, a capacidade de ter momentos solenes consigo e com sua família, você se torna carrasco de si mesmo. Mesmo aqueles que têm a necessidade neurótica de poder, necessidade neurótica de perpetuação como líder no teatro social, eles são algozes de si mesmos. Eles não sabem, mas levam uma vida miserável. Só que o poder vicia, como as drogas viciam. Em segundo lugar, se as pessoas dessem oportunidade para a geração mais nova, estaríamos abrindo a possibilidade de novas soluções, novas maneiras de se ver a vida, encarar os problemas, novas perspectivas para se antever aos fatos e preveni-los, não apenas resolvê-los.Um grande líder se antecipa aos problemas. Um grande líder previne os transtornos. Um grande líder se preocupa com o bem estar social. Todos os políticos deveriam saber, bem como todos os líderes, que a regra das regras de ouro da psicologia e da psiquiatria é: “eu só sou feliz e saudável quando eu dou o máximo de mim para que a sociedade seja feliz e também seja saudável” (As informações são de Sissy Cambuim, repórter do Jornal A Gazeta)

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